Pra falar de futebol em um país tão "justo" com os times de futebol. Pra falar de Política em um país tão farto. Pra falar em educação em um país tão culto.
Pra falar de temas de revolta popular, admiração e prioridade. Pra falar, significa como falar?
Pra ser coerente com políticos, jogadores e futebolistas.
Pra ser sincero, nem faz sentido isso em um pais onde não educamos os cidadãos para ser políticos, a não ser que a educação política seja corruptível. Pra ser sincero, como ser coerente onde as políticas de inclusão passam por reformas de tapa buraco, onde o governo não olha pra educação como quem quer melhora-la, mas sim quem quer esconder seus defeitos?
Pra ser sincero, pra que tanto investimento em estádios, centros esportivos e etc se não formamos atletas com a educação? Pra ser sincero, como entender um país que se esconde atrás de comerciais, que se entrega à corrupção e onde o caminho errado só é errado por te levar, quem sabe, a uma prisão, pois errado por errado, tudo já está?
Omitimos da população noticiários que vão contra a visão dos "grandes", omitimos da população tudo aquilo que poderia até melhorar, mas que como não levam em consideração a opinião política do país, não devem ser levadas a fundo. Omitimos assim, nossa vontade de gritar, nossa vontade de melhorar, estamos submissos ao Brasil de todos ... todos aqueles que tem condições de omitir seus erros. Não prendemos políticos corruptos, não predemos traficantes, não podemos matar traficantes, mas até injusto matar pessoas que protegem seus cidadãos, pois ali (favela/morro) muitos estão seguros de polícias corruptos, ainda que erradamente, tão errado quanto o "certo"!
Não podemos mais expressar nossas opiniões, em um país onde tudo é "bulling", fica difícil dizer que políticos estão roubando, pois por isso você pode ser preso. Em um país onde se atira em crianças, onde crianças já atiram, onde quem mata com provas não pode ser preso, onde quem atira é indiciado por homicídio culposo, onde tudo isso é fato noticiado, como se sentir seguro? Alias, pensando assim, o que seria segurança, quem presa por nossa segurança?
É gritante, não estamos seguros em carros, ônibus, casas e não estamos seguros nas escolas, além dos estádios de futebol é claro.
Somos politizados a brigar por nossos times quando perderem, a matarmos por tão pouco e se tudo não é do nosso jeito, deixamos por isso mesmo, basta dar uma paulada ou outra que tudo se resolva. Somos um povo que coloca 50 mil em um estádio de futebol, que destina 10 milhões à construção dos mesmos, mas que num investe na construção de escolas, que não prioriza o acesso à mesma, que não consegue 5 mil assinaturas para uma cassação. Realmente, formamos um cultura de pessoas ignorantes, e é esse tipo de pessoa e política que nosso governo quer. Não ignorantes por ser burros, somos ignorantes por não enxergarmos o mal que estamos nos causando.
Estamos levando nossos filhos para tomar tiro em pizzaria, estamos comprando motos, carros, computadores para trombadinhas, estamos dando nossa dignidade de mão beijada e nem se quer sabemos para quem. Tá mais fácil roubar e ser preso do que estudar e trabalhar, alias está se ganhando mais com isso. É tanta palhaçada, sacanagem, tanta morte e tanta injustiça que simplesmente nos acostumamos a ver o "ruim", o errado e a simplesmente nos indignarmos, mas não estamos aptos a nos mobilizar, pois desta forma estamos nos expondo. Expor? Mas pra que nos arriscarmos mais, não é?
Quero um lugar onde possa VIVER, andar nas ruas sem medos, onde a qualquer momento eu não corra riscos de não viver mais, de não andar mais.
Não tem sentido querer estádios, querer copa do mundo, querer olimpíadas e não querermos atletas com instrução para isso. Não podemos formar atletas se não formarmos cidadãos antes. Não tem como ser potência esportiva se não formos uma potência educacional, uma potência política. Na verdade se tem como ou não, isso nem se quer importa, o que deveria ser importante era criarmos pessoas, cidadãos educados, trabalhadores bem assalariados, um governo que olhe pro povo com respeito e não com dó.
Todos queremos ser campeões Brasileiro. TODOS!!! As vezes não temos time de futebol, mas aprendemos a torcer por um qualquer, ou até a torcer contra algum. Somos rivais de nossas própria "ineducação", se que posso usar este termo. Somos reféns, estamos presos e ainda conseguimos falar que a Europa está em crise, que os E.U.A é um país de obesos, que a África passa fome! Aprendemos a ser críticos, mas não a ser cidadãos.
Não há o Brasil de todos. Não há políticas de educação. Não há! Não há! Há políticas de distribuição da miséria, há cartões que dão dinheiro a pessoas cuja quais o governo não quer dar educação, há distribuição da riqueza de forma imoral e ridícula e para nós vai ficar por isso mesmo, e mesmo se tivéssemos como agir contra, ainda sim, acho que faltam homens bomba no pais.
Priorizamos o futebol na TV. Não lemos mais jornal, quando não, nem assistimos. Perdemos nosso tempo e talvez seja tarde demais para começar de novo, talvez corrigir com incentivos financeiros seja mesmo a melhor opção e talvez assim, enterremos de vez nossa dignidade, nosso respeito ao próximo, e quem sabe até não entreguemos nosso dinheiro para a construção dos estádios e deixemos de lado a educação, afinal, um atleta pode ser semi analfabeto e ser considerado o melhor do mundo mesmo.
Se possível vamos fazer como o governo e incentivar a prostituição bilíngue, pois os gringos devem se divertir com nossas putas e ainda, é obvio, conversar com elas sobre, política, educação e futebol. Se possível vamos dar nossa contribuição mensal às igrejas e tornar ricos aqueles que veneram um lugar no céu.
Bom pensando assim, acho bom já comprar um caixão, só pra garantir um cantinho no cemitério pelo menos aconchegante.


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