Vou me calar e me procurar dentro de mim, pois acredito que fui cruel demais comigo mesmo estes tempos.
Vou seguir até o lugar que comecei, pois quando eu iniciei a caminhada, eu me sentia mais forte.
Vou trilhar desta vez um caminho menos difícil, não por medo de errar, mas por medo de repetir os erros.
Vou atrás daqueles com que eu me identifiquei no caminho e me eixei perder.
Vou dar valor, não só nos que eu não pude valorizar, mas vou estuprar o meu próprio valor, até que eu o sinta vibrante e totalmente valorizado.
Vou desnudar minha própria pessoa e assim vou abrir meus próprios olhos, num susto, como o bater de uma porta com o vento.
Vou reabrir todas as janelas e deixar que o sol entre, e quero que entre com ele a poeira, a sujeira, e assim conviver comigo mesmo e meus próprios erros, que por tanto tempo deixei batendo à janela.
Vou desbravar meus sorrisos esquecidos e vou aprender a a me apreciar.
Vou chorar tudo aquilo que deixei engasgado e vou assim me lavar, e deixar escorrer por meus olhos, aquilo que minha alma insiste em esconder do mundo
Vou reabrir meu leque de "nãos" e vou desabilitar minha internet.
Vou rezar por tudo aquilo que não rezei e orar por todas as vezes que deixei depois para depois.
Vou sentir, aqui, toda a saudade que tiver de ser sentida, pois vou de uma só vez.
Por fim, vou olhar as janelas abertas, as portas escancaradas, as cortinas a balançar, a roupa por secar, e vou escrever em um rasgado de papel ...
- valeu a pena!
C. A.
